sábado, 4 de julho de 2015

Sugestão de filme e mini-resenha – THE BABADOOK

The Babadook tem grande relação com um texto que escrevi aqui no blog (clique aqui para conhecê-lo).
A resenha de hoje é bem curta pelos seguintes motivos:
1 - As publicações no blog são sempre feitas nas terças e quintas-feiras. A de hoje (um sábado) é excepcional, por razões que se tornarão óbvias ao longo do texto;
2 - Não quero passar nem perto de dar spoilers do filme;
3 - O filme em questão é tão bom que qualquer comentário sobre ele se faz desnecessário.


Feitas essas considerações, segue uma resenha bem curtinha do tenso e assustador THE BABADOOK (2014), o qual indico a todos os amantes do terror psicológico, a todo mundo que queira um filme de terror realmente bom e a todas as pessoas que existem, na verdad mesmo àquelas que nem gostam tanto assim de cinema.

Sinopse do filme (recomendo nem ler isso, pois é melhor ser pego de surpresa, assim como aconteceu comigo agora há pouco): Seis anos já se passaram desde a morte de seu marido, mas Amelia (Essie Davis) ainda não superou a trágica perda. Ela tem um filho pequeno, o rebelde Samuel (Noah Wiseman), e sente dificuldades para amá-lo. O garoto sonha diariamente com um monstro terrível e, ao encontrar um livro chamado "The Babadok", reconhece imediatamente seu pesadelo. Certo de que o Babadook deseja matá-lo, o menino, para o desespero de Amelia, começa a agir de maneira estranha e irracional.
Partindo de uma premissa simples e clichê que já foi explorada em centenas de filmes e livros (uma mãe que precisa lidar com o medo que o filho tem do "bicho-papão"), The Babadook consegue criar algo diferente e inovador. A fotografia e as atuações absolutamente perfeitas, a história simples, mas bem construída, a trilha-sonora sabiamente utilizada, o monstro assustador e expressionista, a condução narrativa cheia de sutilezas e símbolos ocultos para a construção progressiva de uma tensão psicológica como poucas vezes se vê no cinem tudo, enfim, converge de maneira magistral nesse filme para criar uma das melhores histórias de terror dos últimos anos.

William Friedkin, diretor de O Exorcista, disse publicamente que nunca viu um filme mais assustador do que The Babadook (e aqui está a prova). No entanto, convém lembrar que The Babadook não é daqueles filmes cheios de sustos baratos e imagens chocantes e grotescas. Muito diferentemente, o filme se vale de referências sutis e uma atmosfera muito peculiar para criar um terror imersivo e verossímil que, para as pessoas sensíveis a esse tipo de influência, será realmente apavorante (mas pode ser bem fraquinho para quem espera sangues e monstros abomináveis a cada minuto). Ainda assim, apesar de eu ter a certeza de que vou ser severamente censurado pela minha afirmação, não hesito em dizer que, guardadas as particularidades de cada filme e da época em que foram feitos, The Babadook é quase que um O Exorcista dos nossos tempos (ou, pelo menos, um O Iluminado). Mais do que um filme de terror, essa obra-prima escrita e dirigida pela australiana Jennifer Kent é uma aula de cinema, de condução narrativa e de terror.

The Babadook, apesar de todos os meus elogios – os quais muita gente considerará exagerados (mas leve em consideração que eu acabei de assistir a ele!) , é um filme simples que conta com menos de uma hora e meia de duração, mas, com sua linguagem visual certeira (com influência de David Lynch e do próprio William Friedkin), dificilmente será esquecido por aqueles que vivenciarem a experiência por ele proporcionada.
Você não pode escapar do BABADOOK.
The Babadook tem MUITO a ver com um artigo que publiquei aqui no blog recentemente, intitulado AS DELÍCIAS DO TERROR E AS TREVAS DO CORAÇÃO. Vale muito a pena ler esse texto antes ou depois de ver o filme!

Um comentário: